“Cadê a Química”
Se tem uma coisa que vocês podem ter certeza é: não existe exposição ruim na Casa da Ciência da UFRJ. A equipe da instituição realmente é competente e até hoje não houve uma exposição realizada lá da qual eu não tivesse gostado (ao contrário do Oi Futuro Flamengo, por exemplo, onde não raro me decepciono com o resultado das mostras). Atualmente eles estão em uma nova sede, ao lado do Canecão.
A interatividade é imperativa em todas as mostras locais, mesmo porque a Casa da Ciência tem um caráter educativo. Por isso há experimentos e explicações dos monitores sobre tudo o que o visitante vê.
Algumas informações que são passadas durante a mostra:
- Para checar se um leite é puro ou não ou não basta jogar iodo nele. Se ficar roxo, significa que tem amido, elemento que os produtores misturam ao leite – junto com a água – para fazê-lo render em uma quantidade maior. Se ficar amarelado ele é puro.
- O cheiro do gás de cozinha é adicionado artificialmente para que o consumidor saiba quando ele está vazando. Neste caso devemos abrir as janelas e não se deve ligar nem desligar nenhuma tomada, pois a faísca pode provocar explosões.
- Para saber se um microondas está tendo algum tipo de vazamento, basta colocar alguma fruta ao lado da ventilação. Se ela cozinhar ou amolecer já sabe…perigo na certa.
Também nos informam de como dispor os alimentos corretamente na geladeira e o que é mito ou verdade sobre os elementos que tiram manchas de roupa.
Três partes da exposição, na minha opinião, se destacam: o karaokê, o vídeo sobre a importância do…cocô (isso mesmo) e um outro sobre a crise matrimonial dos 7 anos (sim, ela existe. rss).
Em relação ao karaokê: eu não quis nem saber se era pra criança e, plagiando aquela música do Milton Nascimento,“soltei a voz nas estradas, já não queria mais parar”. Ataquei logo duas das três músicas disponíveis, cujas letras, , de uma forma ou de outra, falam de química. É divertido.
O vídeo sobre o cocô aborda a importância deste excremento como adubo e é exibido dentro de uma privada cenográfica. As personagens são bonecos de animação gráfica, que passam as informações educativas em forma de música. Um menininho que estava lá neste dia não resistiu e começou a dançar ao ouvir a música. ;o)
O mais interessante pra mim, no entanto, foi saber que a crise dos 7 anos de casamento é real e tem uma explicação…química! A verdade é que a Ocitocina, conhecida como hormônio do amor, diminui após este período, quando em geral as mulheres já tiveram filhos e este hormônio agora é direcionado para os pimpolhos. Com isso a Testosterona (hormônio masculino) do marido diminui e aí…já viu, né? Por isso é aconselhável que o casal, neste período, passe a fazer atividades juntos capazes de trazer a Adrenalina de volta.
Tenho certeza que quem for ver “Cadê a Química” não vai se arrepender. Ela só tem um senão: talvez eles pudessem ter explorado mais a parte de experimentos – como, por exemplo, mostrar como extrair pigmentos dos minerais – ao invés de mostrar estas coisas através de vídeos. Afinal, já vivemos numa era tecnológica e vídeo toda criança – e adulto – tem em casa. Mas tirando isso, acreditem, vale a pena.
Vejam outras fotos da exposição aqui.
Maiores informações: http://ow.ly/8J72W
“Rio São Francisco, um Rio Brasileiro”
Quando se chega ao mezanino do Palácio Gustavo Capanema, onde fica o MEC, no Centro, a primeira coisa que se vê da exposição “Rio São Francisco, um Rio Brasileiro” é o teto coberto de peixes feitos de garrafa pet. Uma ideia simples que dá um resultado plástico muito interessante, pois une dois critérios que, quando bem utilizados, não têm como não dar certo: simplicidade e criatividade.
Na parede do mezanino há pequenos orifícios através do qual se veem fotos ou vídeos das cidades que compõem o Vale do Rio São Francisco, como Bom Jesus da Lapa, representada na foto ao lado, e que mostra a peregrinação dos fiéis à gruta onde acontece, uma vez por ano, uma procissão daquela que é considerada a segunda maior festa católica do Brasil.
No ambiente seguinte, várias malas estão empilhadas e na abertura de algumas é possível assistir vídeos sobre personagens, danças ou o dia a dia da região. Próximo às malas, duas redes diferentes despertam a curiosidade dos visitantes.
Há também outros elementos interessantes na mostra: uma estante com várias garrafas cheias de água do Rio São Francisco, onde cada traz um nome de inspiração local; um pano com um bordado enorme em apoio ao bispo que fez greve de fome pelo Rio São Francisco (o bordado fica em um ambiente coberto de areia onde o visitante pode pisar) e…claro, os vestidos do estilista Ronaldo Fraga, que é o curador da mostra, inspirados na vida ribeirinha do vale.
Tudo me chamou a atenção, mas três partes são particularmente interessantes por motivos diferentes:
- O vídeo do ator Wagner Moura explicando pro filho como a cidade onde ele foi criado na Bahia, chamada Rodelas, foi inundada para que ali fosse construída uma usina hidrelétrica. O vídeo mostra imagens da cidade e do ator quando era pequeno, além de seus avós e pais.

Mandala
- Um ambiente que reproduz as barracas de pescaria de festa junina, onde os peixes cenográficos contêm perguntas para o visitante checar seu conhecimento sobre a região. Muito bacana! Não consegui pescar nenhum, por isso peguei com a mão mesmo. ;o)
- As mandalas. O resultado dos elementos usados pelo autor das mandalas (fico devendo o nome dele) faz delas verdadeiras obras de arte. Muito interessantes.
Se você trabalha no Centro, não perca e se não mor,a dê um pulo lá de qualquer jeito. Garanto que não é tempo perdido. E se der sorte, na saída ainda pode ver uns dançarinos de break ensaiando uns passos na saída do prédio. ;o)
Veja outras fotos aqui.
Maiores informações: http://ow.ly/8J76J
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